Durante a prática de atividades físicas, transpirar é uma resposta natural do corpo. Por isso, muita gente acredita que quanto mais suor, maior é a queima de calorias e o emagrecimento. No entanto, essa associação nem sempre reflete o que realmente acontece no organismo.
Segundo especialistas em Nutrição de Precisão, o suor é um mecanismo de regulação térmica do corpo. Quando entramos em movimento, cerca de 75% a 80% da energia gerada durante o exercício se transforma em calor. Para evitar o superaquecimento, o cérebro aciona as glândulas sudoríparas, que liberam um líquido composto basicamente por água, sódio e outros minerais. Ao evaporar da pele, o suor ajuda a dissipar esse calor. Cada litro de suor evaporado remove aproximadamente 580 kcal em calor, mas isso não significa que essas calorias tenham sido queimadas. Trata-se apenas da eliminação de calor, e não de gasto energético.
A quantidade de suor varia bastante de pessoa para pessoa. Fatores como genética, nível de condicionamento físico, massa corporal, hidratação, hormônios e adaptação ao treino em ambientes quentes influenciam diretamente esse processo. Pessoas mais bem condicionadas tendem a suar mais rápido, pois o corpo se torna mais eficiente em se resfriar, enquanto indivíduos com maior massa corporal produzem mais calor durante o movimento.
Existe uma relação indireta entre suor e gasto calórico. Exercícios mais intensos geram mais calor e, consequentemente, mais suor. No entanto, suar não é sinônimo de queimar calorias. É possível suar intensamente em uma sauna sem quase nenhum gasto energético, enquanto alguém treinando pesado em um ambiente frio pode suar pouco e ainda assim apresentar alto gasto calórico. Por isso, a quantidade de suor não é um parâmetro confiável para medir a eficácia do treino.
Também é importante entender o que realmente se perde ao suar. O suor é composto por cerca de 99% de água, além de minerais como sódio, cloreto, potássio, cálcio e magnésio. Isso significa que a redução de peso imediata após um treino muito suado está relacionada principalmente à perda de líquidos, e não de gordura. A queima de gordura acontece dentro das células, e seus resíduos são eliminados principalmente pela respiração, na forma de dióxido de carbono (CO₂).
O gasto calórico real depende da combinação entre intensidade, duração e tipo de exercício, além do peso corporal. Treinos mais intensos ainda ativam o efeito EPOC, fazendo com que o corpo continue gastando calorias mesmo após o fim da atividade física. A taxa metabólica basal, influenciada por genética, hormônios e composição corporal, também interfere diretamente na quantidade de energia gasta diariamente.
Em resumo, suar é essencial para a regulação da temperatura corporal, mas não é um indicativo direto de emagrecimento. Para avaliar se o treino está funcionando de verdade, o ideal é observar dados concretos, como evolução da composição corporal e acompanhamento nutricional adequado.
